sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Natal Reciclado ou Natal Comunitário



Sendo o Natal uma quadra festiva com significado especial para as crianças, é natural que a criança que há em nós transporte e evoque as imagens e a magia das histórias que lhe ficaram na memória quando escreve sobre o Natal.
Histórias contadas à lareira, depois da ceia e durante os jogos do "rapa-tira-deixa-põe".
No dia de Natal as crianças acordavam mais cedo  entusiasmadas com a prenda que o Menino Jesus tinha deixado – umas peúgas, camisola, calças, com aquele cheiro a novo, que haviam de levar daí a umas horas à Missa do Dia onde também beijariam o Menino Jesus, que era retirado da caminha de palha na cabaninha do presépio que simbolizava a manjedoura onde nasceu.

O primeiro presépio terá sido montado em argila por São  Francisco de Assis em 1223 na Floresta de Greccio, para explicar mais claramente o Natal às pessoas comuns , na sua maioria camponeses que não conseguiam entender o nascimento de Jesus (em “Teologia, Doutrina, Catequese").

Montar o presépio tornou-se um hábito, com toda a carga simbólica: Familia unida, simples, trabalhadora, crente; a Natureza (montes, pastoreio), o Universo (estrelas) e a Boa Nova (Anjos).
Ir ao musgo aos montes, trazer pedras de vários tamanhos para com elas fazer os relevos dos presépios era um hábito de adultos e miúdos nas aldeias de Portugal.

Há dois mil anos não havia reciclagem, simplesmente se comia ou usava aquilo que se produzia ou fazia; tudo era aproveitado.

A tradição da árvore de Natal começou em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Certa noite, enquanto caminhava pela floresta, Lutero ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve. As estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa. Além das estrelas, algodão e outros enfeites, como velas acesas para mostrar aos seus familiares a bela cena que havia presenciado na floresta.

A Reciclagem

Nos tempos que correm sim, faz todo o sentido o reaproveitamento. Mas o reaproveitamento é o resultado de excesso de consumo.
Pessoalmente não me agrada muito  ver as imagens características de um presépio representadas por garrafas de plástico ou cápsulas de café. Sejamos certinhos durante o ano, respeitemos o ambiente, mas demos a maior dignidade possível ao Natal. 

Não deixemos que a reciclagem retire ao Natal a carga simbólica. Sem quaisquer preferências nem fundamentalismos.

Esta quadra seria mais genuina  se toda a comunidade construísse um presépio num espaço público, sem qualquer protagonismo individual, mas com o espírito de alegria, generosidade, convivência sã, como se de uma verdadeira família se tratasse: O NATAL COMUNITÁRIO.