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terça-feira, 30 de junho de 2026

Amanhã pensamos nos efeitos

 Termina brevemente a participação pública no Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER)

Olhamos para as nossas planícies e encostas e, onde antes vibrava a harmonia da natureza, estendem-se agora mares de espelhos reflectores.  
Sob o pretexto de salvar o planeta, assistimos à fragmentação de ecossistemas inteiros. A fauna local, desde as aves  aos pequenos mamíferos que habitam o solo, vê as suas rotas cortadas e os seus habitats desfeitos por vedações e estacas de metal.
A urgência climática não pode justificar a criação de novas cicatrizes. Rasgar a paisagem com megaparques fotovoltaicos introduz também riscos que ignoramos levianamente. 
*O reflexo inesperado e intenso destes imensos tabuleiros de vidro pode transformar-se num perigo real de encandeamento, comprometendo a segurança de quem apenas tenta regressar a casa. 
* Deixa de haver solos permeáveis, aumentando assim o risco de cheias.
*A preparação de  terrenos para a instalação dos painéis adultera os lençois freáticos.
*A alteração drástica do microclima local e a perda visual da nossa identidade natural trazem uma sensação de desassossego e saturação, afetando o bem-estar e a saúde mental das comunidades que sempre viveram em comunhão com o horizonte.

Mas há um caminho assente na esperança. Mudar de rumo não significa desistir do futuro; significa desenhá-lo com inteligência e respeito.
A verdadeira energia limpa não precisa de competir com a biodiversidade. 
A solução está mesmo por cima de nós, dependente de sábias decisões,  nas cidades e zonas industriais que já construímos. Imagine-se cada fábrica, cada grande superfície, hospital ou hotel a transformar o seu próprio telhado e terrenos anexos numa central geradora de eletricidade. O sol que hoje bate no asfalto e no betão pode ser captado ali mesmo, sem deitar abaixo uma única árvore, sem afugentar nenhuma espécie, e sem criar clarões perigosos nas bermas das autoestradas.
Esta transição descentralizada ganha força quando colocada nas mãos das pessoas. Ao apoiar os pequenos empresários e as famílias , com vantagens fiscais e crédito sem juros, devolvemos a autonomia a quem move o país. O futuro que queremos construir não é feito de campos industriais áridos disfarçados de verdes; é feito de telhados vivos, vilas auto-suficientes e cidadãos livres. Podemos ter uma energia profundamente limpa e, ao mesmo tempo, manter intactos os nossos horizontes, as nossas florestas e a segurança de quem viaja. O amanhã pode ser luminoso, sem nunca apagar a vida da nossa terra.
A nível técnico, qual o destino dos painéis no fim de vida útil (20 ou 30 anos)?